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Poesia erótica

03/14/2010

Dar é não fazer amor (Luiz Fernando Veríssimo)

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
‘Que que cê acha amor?’.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar…

Experimente ser amado…

Araras versáteis (Hilda Hilst)

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

Sossegue coração (Paulo Leminsky)

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

E por que haverias de querer… (Hilda Hilst)

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me. 

Objeto de amor (Adélia Prado)

De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.

Entrevista (Adélia Prado)

Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa do sexo?
Uma das maravilhas da criação eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara:
o destino do homem é a santidade.
A mulher que me perguntou cheia de ódio:
você raspa lá? Perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor que vem de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
Se “cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.

A mulher que passa (Vinícius de Moraes)

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.

Soneto da devoção (Vinícius de Moraes)

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! � uma cadela
Talvez… � mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

19 de abril (Ana Cristina Cesar)

Era noite e uma luva de angústia me afagava o
pescoço. Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera e ainda uma
multidão herdada de mamãe. Era noite e uma
luva de angústia… Era inverno e a mulher
sozinha… Escureciam as esquinas e o vento
uivando… Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas
íngremes. Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio e os sons eróticos povoando
a sala esfumaçada.

MADRIGAL (José Paulo Paes)

Meu amor é simples, Dora,

Como a água e o pão.

 

Como o céu refletido

Nas pupilas do um cão. 

ABC erótico (Noel Pereira)

Abre-te!
Beija-me!
Cobre-me!

Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.

Ai!
Basta!
Cala-te!

Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?

Ah!
Biscoito
Crocante!

Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!

Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!

Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!

Nossos corpos (Noel Pereira)

Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.

Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.

Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfônica

Grito erótico (Manuela Amaral)

Caluniaste o meu corpo
ao longo dos teus gestos
sem medida

Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta

      Puta
      Puta

Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
      Grito marinho
      a escorrer nas algas
      do meu ventre

      Puta
      Puta.

Poeminha de louvor ao “strip-tease” secular (Millôr Fernandes)

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

Boceta (Arnaldo Antunes)

da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba

entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo

Lambido (Ricardo Icassatti Hermano)

Eu quase havia esquecido como é bom
Ser lambido, beijado, lambuzado
Por uma mulher bonita, manhosa, gostosa
Morena, loira, oriental, negra, ruiva
Não importa
Bastou me deixar levar
Sentir a língua molhada deslizar
Em torno das orelhas, ao redor do pescoço
De cima até embaixo da nuca
Arrepiar-me com o quente/frio da respiração
Lenta…
Pausada…
Um interminável gemido de prazer
Perdido nas entranhas do meu ser

Gozo (Carlos Alberto Pessoa Rosa)

silencioso…

solto
disperso
aberto

delicioso…

desprendido
desatado
desobrigado

viver…

sem rumo
sem nada
sem ter

em regozijo
        num gozo intenso

Da sedução dos anjos (Bertolt Brecht)

Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa e mete-
-Lhe a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
P’ra que do choque no fim te não caia.

Exorta-o a que agite bem o cu
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido
Desde que entre o céu e a terra flutue �

Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.

Arte-final (Affonso Romano de Sant’Anna)

Não basta um grande amor
            para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
            que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

            – quem toma uma por outra
               confunde e mente.

Pecado mortal (Gueixa)

Poemas eróticos são maliciosos
sensuais e deliciosamente perigosos….
tal como assistir a filmes pornográficos
para acordar monstro hibernando…

Fico a pensar o que busco em ti
enquanto rabisco desejos,
anunciando anseios
ao invés de lascar-te um beijo
e entregar � aos teus carinhos �
meus seios.

Sem rimas fáceis, sem situações previsíveis.
Numa intensa crise corre,
irresistível, meu frisson por ti
incontrolável fúria à tua procura
horas a fio, preenchendo meus
pensamentos…

Meu amor um momento!
Isso é loucura?
Paixão?
Paranóia?
Que situação!
Que confusão de sentimentos…

Quando tiveres a resposta
tu encontraras a mim, completamente
pronta,
tonta de desejo por teu beijo,
por tua pele escura, tintura de meu ventre
que sente
que apenas a ti pertence…

Minha pele está entranhada pelo teu cheiro
caudalosamente banhada por tua língua
que sucumbe a cada investida,
revestida por teu suor
que impregna minha alma…

Não sou uma mulher,
sou parcelas que se juntam
e agregam-se num furacão
que entra em ebulição,
quando tocas cada uma delas:
vagina, orelhas, boca, ancas, pernas, pés e
mãos…

Neste instante,
essas partículas minúsculas,
tornam-se uníssonas.
Transformam-se num conjunto
em busca de delícias
da mais pura e gostosa malícia.

Tu és pastor de um rebanho desgarrado
e só tu tens o poder de torná-lo gregário.
Só tu tens a chave desse universo paralelo
Só tu podes desvendar esse mistério…

De corpo furacão, de mulher ebulição,
de um ser fragmentado em inúmeras personas:
Uma Eva expulsa do paraíso
A agregada mais bonita da Senzala
Uma cortesã em homenagem a cidadão ateniense
Um anjo lascivo, um demônio bandido
Uma princesa enclausurada em torreão
Uma Galla sem Dali

A cometer crimes, a purgar sacrilégios
a pregar teu credo
A sofrer em segredo, este mais cruel degredo
que é estar longe de ti…

Hilda Hilst

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

Toma-me (Hilda Hilst)

Toma-me.
A tua boca de linho sobre a minha boca Austera.
Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo. Da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa
De púrpura. De prata. De delicadeza.

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (José Paulo Paes) 

a poesia está morta

mas juro que não fui eu 

eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la

 

imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-

    los  drummond de andrade   manuel bandeira   murilo

    mendes vladimir maiakóvski  joão cabral de melo neto

    paul éluard  oswald de andrade   guillaume apollinaire

    sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos

 

não adiantou nada  

em desespero de causa cheguei a imitar  um  certo (ou

    incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada

    de ferro araraquarense

 

porém ribeirãozinho mudou  de nome a estrada  de ferro

    araraquarense foi  extinta  e  josé paulo paes  parece

    nunca ter existido

nem eu

A Casa (José Paulo Paes) 

Vendam logo esta casa, ela está cheia de fantasmas.

Na livraria, há um avô que faz cartões de boas-festas com corações de purpurina.

Na tipografia, um tio que imprime avisos fúnebres e programas de circo.

Na sala de visitas, um pai que lê romances policiais até o fim dos tempos.

 

No quarto, uma mãe que está sempre parindo a última filha.

Na sala de jantar, uma tia que lustra cuidadosamente o seu próprio caixão.

Na copa, uma prima que passa a ferro todas as mortalhas da família.

Na cozinha, uma avó que conta noite e dia histórias do outro mundo.

 

No quintal, um preto velho que morreu na Guerra do Paraguai rachando lenha.

 

E no telhado um menino medroso que espia todos eles;

só que está vivo: trouxe-o até ali o pássaro dos sonhos.

Deixem o menino dormir, mas vendam a casa, vendam-na depressa.

Antes que ele acorde e se descubra também morto.

 

A poesia, sempre a poesia: erótica, claro

(por Izaias Edson)

O reino da poesia, principalmente a lírica, há espaço para todas as viagens, para todas as sacanagens. Nas minhas pesquisas, observo, no entanto (e acho até que esteja sendo redundante), que poucos, muito poucos, dos grandes poetas fizeram poesia erótica de qualidade. Acho que há nos poetas consagrados, aqueles que têm nome e lugar cativo nas antologias escolares, sempre um certo receio de cair no chamado mal gosto, quando, na verdade, se há profundidade, se há criatividade e, principalmente, se há verdade no que se escreve, não pode haver mal gosto. Além do fato de que esse conceito, o do mal gosto, é extremamente subjetivo. O que agrada a uns pode desagradar a outros. E também os valores estéticos mudam com o tempo, com o lugar, com o tipo de sociedade em que vivemos (e de novo acho que estou sendo repetitivo, mas não importa, como diz um velho ditado ou seja o que for francês: “se eu te digo sempre a mesma coisa, é porque é sempre a mesma coisa; se não fosse sempre a mesma coisa, eu não te diria sempre a mesma coisa”). Então, vamos ao que interessa: poesia erótica de boa qualidade.

De Alice Ruiz, poeta de expressão, de linguagem forte e criativa, achei esta pérola, em forma de hai-kai (embora não seja hai-kai, segundo o conceito da própria escritora – um tema que abordarei em outro momento):

quem ri quando goza
é poesia
até quando é prosa

Há, também, armadilhas. Recebi, há pouco, de uma amiga, um poema interessante, atribuído a Mário Quintana. O gaúcho tem um estilo muito próprio e delicado, para tê-lo escrito. Foge, completamente, às suas características. (Por exemplo: quando lemos a poesia erótica de Drummond, não podemos negar que ali está o poeta, o seu modo característico de escrever, de poetar, embora sejam versos que fujam completamente à temática conhecida do grande autor – isso é estilo, a quem ninguém consegue fugir, ou seja, é quase impossível copiar o estilo de alguém, a não ser forma meio canhestra ou paródica). No entanto, em 99% dos sites de poesia da Internet, encontramos o tal poema atribuído a Mário Quintana.

Então, com você, meu leitor, um poema erótico (de autor desconhecido), que NÃO É DE MÁRIO QUINTANA:

A CRIAÇÃO DA XOXOTA

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro

Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno

Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: ‘É só pra xixi!’.

Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a… Buceta!

3 Comentários leave one →
  1. Flávia Galvão Link Permanente
    06/30/2010 15:22

    Adorei isso! Quando puder, contribuo com umas coisitas que tenho… beijo

  2. 08/10/2010 00:07

    Esse poema q já vi muitos sites atribuírem a Mário Quintana, se não é dele, de quem é então?

  3. cristal Link Permanente
    04/07/2011 09:15

    Oi Rudinei, adorei passar por aqui, a partir de hoje tenho vc como meu favorito pq quero sempre te visitar, tá bom? Amo de paixão escritores malditos e uma delas é Hilda Hilst. Adorei conhecer outros autores que vc expois aqui a minha desconhecidos, enfim gostei de estar aqui…

    Tenha um dia maravilhoso, cheio de poesia!

    Beijo carinhoso,

    flor de cristal{LB} .

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